CRONICAS DE BARCELOS ( 17 ) – A CULPA AFINAL É DOS TRABALHADORES!

Janeiro 31st, 2012 | Uncategorized | Sem Comentários »

 

CRONICAS DE BARCELOS ( 17 )

 

A CULPA AFINAL

É DOS TRABALHADORES…!!!

Durante os últimos seis meses de 2011 os Portugueses acomodaram-se à ideia de que um Primeiro Ministro pode mentir, desde que seja do PSD ou do CDS. Já o anterior mereceu o inferno dos media nacionais, que criaram o clima necessário ao cartão vermelho dos Portugueses, entregando o poder à direita que os controla.

Na verdade, as promessas de não aumentar os impostos, de obrigar os mais ricos a pagar impostos, aliviando a carga fiscal dos menos afortunados e dos trabalhadores por conta de outrem, de governar com solidariedade para os mais desfavorecidos e de distribuir equitativamente os esforços para ultrapassar a crise não passaram disso mesmo, ou seja de promessas mentirosas de políticos sem vergonha.

É claro que numa primeira fase o “emagrecimento das gorduras do Estado” passou por outra grande mentira, de que a culpa era dos funcionários públicos e reformados, que logo foram espoliados de direitos fundamentais, sendo aí também ensurdecedor o silêncio dos média e de quem tem por função aplicar a Constituição.

Mas o golpe político que a direita leva a cabo, mesmo sem revisão constitucional – é legítimo questionar e exigir declaração de interesses para sabermos se há alguém nas instâncias do Estado que saiba ou queira defender o Estado de Direito Democrático –, não podia dar-se por findo sem o último embuste, palavra tão do gosto do PSD local.

Assim, agora o alvo são os trabalhadores por conta de outrem. Já só falta alguém, como aquele candidato Republicano dos USA, dizer que são todos uns malandros e que merecem todos ser obrigados a trabalhar sem nada receber, a não ser por caridade da respectiva entidade patronal, incluindo as respectivas crianças, que devem ser obrigadas a lavar o chão das escolas como contrapartida dos gastos com a sua educação e para criarem hábitos de trabalho ( sic ).

É claro que muitos Empresários e Empreendedores não acham graça a este suicídio liberal e de direita, pois sabem que um dia vão também pagar a factura da incompetência governativa, sendo óbvio que aqueles que buscam paraísos fiscais o fazem também porque não acreditam nestes governantes.

Contudo, haverá outros que, por total falta de formação, de ética, por falta de experiência, saber empresarial ou por convicção política irão acentuar comportamentos violadores da legislação laboral, sabedores de que neste País as entidades fiscalizadoras, salvo raríssimas excepções que quase ninguém conhece, nada fazem.

Aliás, entre as recentes medidas chamadas de concertação social não consta uma única que penalize especialmente as entidades empregadoras que violem aquelas normas, muito menos uma única que estabeleça sanções severas para aqueles que violem, sem justificação, os direitos dos trabalhadores.

Pois, “seria uma maçada pedir tal coisa”. É claro que um desequilíbrio de normas e de esforços tem como consequência o aumento da conflitualidade social e o aumento da precariedade do emprego, mas não resolve o problema essencial da nossa economia, que continua a ser a necessária produtividade, com o aumento das nossas exportações, para equilíbrio da nossa balança comercial.

Aliás, seria bom que os gestores, economistas e responsáveis soubessem ler os sinais da história, em vez de continuarem preocupados em alimentar o monstro. Já deviam saber, porque foram os únicos culpados da actual situação, que têm antes de mostrar provas da sua competência, pois já estamos fartos de suportar as consequências da sua ignorância arrogante.

Publicado in “Barcelos Popular” de 19 de Janeiro de 2012

Horácio Barra

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 16 ) – NATAL … QUANDO SERÁ?

Janeiro 6th, 2012 | Uncategorized | Sem Comentários »

 

CRONICAS DE BARCELOS ( 16 )

 

NATAL … QUANDO SERÁ?

 

Normalmente o final do mês de Dezembro e o Natal criam uma “atmosfera especial “ à reflexão e, de forma artificial e temporariamente, exacerba-se neste período a sensibilidade especial para com as questões sociais.

É claro que, apesar de todos sabermos que não existe o Pai Natal, a sua figura e criação é propícia à materialização da época, manifestação pagã de que o Homem nunca se libertará, sendo, aliás, figura central da ilusão e fantasia que povoa também a imaginação infantil, infelizmente também explorada no pior sentido.

Porém, as manifestações e declarações de apoios sociais e de solidariedade não têm a consistência de tranquilizar ninguém, em especial os cerca de um milhão de desempregados, os reformados e os outros cerca de cinco milhões de Portugueses que estão confrontados com as dificuldades e que ganham menos do que o salário mínimo nacional ( 485,00 € ). Mesmo os demais sabem que a convulsão social pode acontecer a qualquer momento e que nada está hoje garantido.

É claro que, se existisse Pai Natal, o que se esperaria é que este entregasse doze vales mensais no valor do salário mínimo a cada um dos governantes, gestores e responsáveis políticos nacionais, europeus e mundiais, lhes exigisse que vivessem com esse valor durante 2012, pagando renda de casa, água, electricidade e gás, infantário dos filhos, despesas de saúde, alimentação, vestuário, escolares e que se mantivessem vivos até ao Natal de 2012, sem quaisquer outras ajudas.

Porém, esta fantasia natalícia é irrealizável, mesmo com a ajuda divina. É que os milagres são difíceis de provar, mesmo acontecendo. Mas com toda a certeza o Natal de 2012 seria bem diferente do actual.

É que não vemos nos responsáveis a humildade e o saber necessários à diminuição do desperdício e da despesa pública, que nos colocaram à beira de precipício, muito menos a sensibilidade social que distingue os grandes estadistas.

Resta-nos a mediocridade dos responsáveis políticos, a mentira insolente e sem vergonha de quem promete e depois nega as promessas ou as palavras, a pobreza de espírito, a falta de ideias e a arrogância dos ignorantes, que decidem a continuação de políticas de desrespeito pelos mais elementares direitos humanos.

É o deserto de valores de quem engana as pessoas, que buscam e esperam melhores dias, mas que se deixam embalar por presentes eleitorais envenenados, cujo conteúdo ideológico foi minuciosamente decidido pelos seus executores.

Horácio Barra

Publicado no Jornal “Barcelos Popular” de 22.12.2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 15 ) – SER … MILITANTE ?

Dezembro 1st, 2011 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

 

CRONICAS DE BARCELOS ( 15 )

SER … MILITANTE ?

Recentemente, um jornal local com informação privilegiada “informava” que cerca de 650 cidadãos tinham subscrito fichas de inscrição no PS local e que alguém da actual Direcção Partidária concelhia ( DP) pretendia fazer crer, contra todas as evidências, que eram ligados a uma “perigosa oposição interna” que não se atreveram a identificar.

Também outras pessoas responsáveis denominaram de “perigosos” alguns desses militantes inscritos, sem os identificar, chegando ao desplante de dizer que lhes teriam sido oferecidos telemóveis e computadores em troca da inscrição.

Maior manifestação de liberdade e de fé partidária não será possível!

Claro que, afastada a semelhança com o passado e com métodos em que muitos já se mostraram especialistas, não identificaram quem eventualmente liderava essa massa crítica de novos militantes e com que objectivos, mas, ficou claro, até por referência de outro jornal local, que a história estava mal contada desde o início.

Sempre pensámos e escrevemos que a abertura dos partidos políticos à sociedade civil e aos cidadãos seria o melhor caminho para o exercício da cidadania no actual quadro democrático.

Todos os responsáveis sempre caracterizaram o PS como sendo um partido de pessoas livres, em que a diversidade de opinião nunca foi impedimento para a concretização de projectos, se alcançada através de uma franca discussão interna e de lideranças legitimadas por votos livremente expressos.

É claro que quero acreditar que nenhum daqueles novos militantes ou das demais centenas que entretanto se têm inscrito nos últimos anos se identificou com tamanha afronta à liberdade de cada um.

Também não queremos acreditar que a DP tenha receio, veja com maus olhos a inscrição livre de novos militantes ou que tenha medo de uma qualquer oposição interna, mesmo que, para já, anónima.

Aliás, a exigência que resultará de um cada vez maior número de militantes é garantia de qualidade e transparência na acção e na discussão das principais decisões ou orientações políticas, que devem ser legitimadas nos orgãos próprios.

Não queremos acreditar que a DP defenda, como alguns dizem, a omissão da discussão interna, com eliminação dos críticos, bem como a substituição daquela por uma redução da vida partidária à gestão camarária.

E a vida partidária não se pode limitar a uma mera contagem de votos, mais ou menos esclarecida, em eleições de dois em dois anos.

Será bom lembrar que o PSD deve também a sua derrota nas eleições autárquicas de 2009 à quase total dependência e confusão do partido com as consequências da gestão camarária, em que se enredou ao longo de anos e que se revelou perdedora.

Mas qualquer um sabe que o PSD não vai continuar alegremente a dar tiros no pé!

Só através de acções positivas e adequadas se combaterá o descrédito que uma parte da sociedade lança sobre os partidos políticos.

Apesar dos adversários do PS se encontrarem nos outros partidos, há quem teime em fazer crer o contrário, mas esta postura será sempre um erro característico de lideranças fracas.

A história ensina que acaba sempre mal quem desenvolve teorias e práticas de eliminação e pensa que, com tais atitudes, se eterniza no poder.

Pois há sempre alguém que assume as suas ideias e a diferença, sendo óbvio que todos os jogos de poder têm sempre um fim, anunciado ou não.

Assim, o futuro do PS, local ou nacional, dependerá sempre da participação e dos contributos dos seus militantes, em liberdade, mas responsavelmente e orientados pelos seus princípios e ideais democráticos, em que o respeito pelas pessoas e pela diferença é condição para vencer todos os desafios.

Horácio Barra

Publicado in ” Barcelos Popular” de 17.11.2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 14 ) – QUE OPOSIÇÃO ?

Novembro 7th, 2011 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 14 )

QUE  OPOSIÇÃO ?

 

Estão passados dois anos desde as últimas eleições autárquicas em que o PS assumiu, pela primeira vez, a total responsabilidade da gestão da Câmara de Barcelos.

Entretanto o Presidente da Câmara e demais Vereação foram conhecendo o que de bom e de mau existe, sempre, nestas circunstâncias, em qualquer Município, sendo natural alguma confrontação verbal quando há mudanças.

Decorridos dois anos era expectável que a oposição se tivesse organizado e apresentasse já um fio condutor para a sua actuação.

Se quanto aos demais partidos, como é o caso do PND, PCP, BE e CDS, não se estaria à espera de muito mais, para além das suas intervenções na Assembleia Municipal, já quando ao PSD era exigível uma clarificação da sua estratégia e, sobretudo, das suas ideias e de quem quer para liderar a sua bancada e para possível candidatura às próximas autárquicas.

Estranhamente o PSD encerrou o jornal, que era o seu único e persistente meio de informação e propaganda, e vai repetindo lugares comuns nas suas intervenções na Assembleia Municipal, sendo já fastidioso constatar a falta de criatividade da sua bancada e a falta de intervenção pública, o que terá levado parte do seu eleitorado a optar por um Movimento Cívico entretanto constituído.

Entretanto o Presidente da Câmara e demais Vereação lá vão fazendo o seu trabalho, sobretudo tentando dar ordem a uma gestão anterior que se revelou negativa, pois, mesmo com algumas críticas pontuais, não se encontram alternativas na oposição, muito menos propostas exequíveis.

Aliás, a persistente afirmação e defesa por parte do PSD dos contratos da concessão da água e saneamento e da parceria público privada, apesar de estar mais do que demonstrado que tais negócios não foram devidamente ponderados e trouxeram encargos inaceitáveis e incomportáveis para o Município, só pode ser o resultado da deriva ideológica e de liderança do PSD actual.

O exercício da cidadania é uma exigência que hoje todos reclamam, mais ainda quando todos estão de acordo em que a crise dita global é resultado de políticas ultra-liberais e da especulação financeira internacional, só possível pelo quase total alheamento dos cidadãos quanto à sua participação política.

Só essa participação cívica trará o envolvimento das populações na discussão das questões que as afectam, devendo essa discussão fazer-se também dentro dos partidos políticos, pois só assim poderão aparecer propostas construtivas e ponderadas.

Por isso o PS e a Câmara Municipal não poderão deixar de promover a realização de eventos e de encontros que permitam essa grande discussão e o envolvimento de todos os sectores da sociedade barcelense.

Contudo, quanto melhor for a oposição melhor será o governo. Mas a última palavra caberá aos cidadãos.

Horácio Barra

Publicado no Jornal “Barcelos Popular” de 13.10.2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 13 ) – FOI VOCÊ QUE PEDIU ESTE GOVERNO ?

Outubro 17th, 2011 | Uncategorized | 1 Comentário »

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 13 )

FOI VOCÊ QUE PEDIU ESTE GOVERNO?

Decorridos três meses sobre a data da posse deste Governo de Portugal já não ouvimos ninguém falar bem das medidas tomadas e anunciadas, a não ser os próprios governantes.

Mesmo pessoas com grande responsabilidade política dentro do PSD e do CDS já criticam as medidas governamentais, que, a pretexto do combate à crise e ao despesismo do Estado, continuam cegamente  a atingir sempre os mesmos.

Agora, já se ouvem discursos que aumentam a ansiedade dos Portugueses, preparando-os psicologicamente para um novo acordo com a “Troika” que, obviamente, trará mais sacrifícios e cortes para os que têm menos recursos e a classe média, tudo com o pretexto de cortar mais mil milhões em 2012.

De medidas para “cortar nas gorduras do Estado” nada. Ora, esta omissão revela ou um ostensivo favorecimento político da classe dominante, que mantém para si mesma os privilégios, ou revela falta de vontade, falta de coragem ou falta de capacidade políticas para fazer o que é preciso.

Perante este cenário, se falarmos com as pessoas parece que ninguém votou neste governo e no programa que dizem implementar. Mas alguém, a maioria anónima, votou. Tal significa que as pessoas continuam a viver comodamente e a ir atrás das promessas eleitorais de quem quer ser alternativa ao poder, queixando-se depois de que, afinal, são uns mentirosos.

É claro que este estado de coisas só se altera no dia em que as pessoas perceberem que só há um caminho para alterar esta crónica falta de vergonha de quem promete o que sabe não poder ou não querer depois cumprir.

Para isso é necessário que as pessoas participem activamente na actividade política e sobretudo que se inscrevam nos partidos políticos para influenciarem a escolha das melhores políticas e de quem querem que as execute. De outro modo alguns continuarão a decidir a vida de milhões e o futuro de todos, a nível local, regional e nacional.

Enquanto assim não fizerem manter-se-á o “fado” de se verem governadas por quem é manifestamente pior do que quem vota neles, mas aqui sem volta a dar.

Aliás, estou mesmo a ver, nas reuniões do Governo, um sorriso rasgado estampado no rosto de todos enquanto baixinho sussurram “daqui ninguém nos tira nos próximos quatro anos”…

Entretanto pode berrar, discutir, manifestar-se, desesperar, mas não lhe vai servir de nada … a não ser que queira fazer uma revolução…

Horácio Barra

Publicado no Jornal “Barcelos Popular de  15.09.2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 12 ) – UM DESVIO COLOSSAL À DIREITA

Setembro 15th, 2011 | Uncategorized | 1 Comentário »

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 12 )

UM DESVIO COLOSSAL À DIREITA

Aparentemente, a maioria dos Portugueses dorme tranquilamente, depois de escolher para o Governo deste Pais os Partidos e Ministros mais inteligentes, que garantem um desvio colossal à direita nos próximos quatro anos.

Ainda não tínhamos recuperado das promessas eleitorais de que não iam subir os impostos sobre os rendimentos do trabalho das famílias, nem desculpar-se com o Governo anterior, quando alguém, de forma inteligente, veio esclarecer que havia um desvio superior a mil milhões de euros, que, apesar de mais ninguém o ver, mesmo a Troika, necessitava de ser tapado com 50% do subsídio de natal dos portugueses.

Mas, logo após tamanha demonstração de inteligência, logo outro não menos inteligente membro do governo anunciava a descida da TSU em cerca de 4% para as empresas, buraco a cobrir pela subida da taxa do IVA.

Na verdade, essa descida, dizem aquelas mentes inteligentes, vai permitir o relançamento da economia, o investimento das empresas e a criação de novos postos de trabalho.

Considerando que a maior parte, superior a 95%, das empresas portuguesas tem menos de 20 trabalhadores, com salários médios entre o salário mínimo ( 485,00 € ) e os 600,00 €, qualquer pessoa menos inteligente descobre que aquela descida da TSU corresponde a cerca de 24,00 € por mês para um trabalhador que ganhe 600,00 € ou 19,4 € para um trabalhador que ganhe o salário mínimo.

Ora, considerando uma empresa que tenha entre 10 a 20 trabalhadores, estamos perante uma poupança que se situará entre os 194,00 € e 480,00 € com a redução da TSU em 4%!

Mas, estupefactos com a dimensão de tais medidas inteligentes, os portugueses foram ainda confrontados com outras ideias não menos inteligentes de congelamento de salários e de carreiras, despedimentos facilitados a troco de nada, privatizações, cortes na saúde e na educação, nas pensões, aumento de preços nos transportes e em geral pelo aumento do IVA e até a venda de um BPN pelo preço mais inteligente até hoje conhecido nos meios financeiros.

Sobre os rendimentos do capital e sobre as transacções bolsistas e especulativas nada ouvimos, nem nenhuma medida inteligente foi tomada. Melhor, foi tomada a medida mais inteligente, precisamente a de não tomar medida alguma!

É que é inteligente a medida de não tomar medida alguma enquanto a generalidade dos portugueses, classe média e menos afortunados, conta os euros ao longo do mês e até os vê desaparecer antes, enquanto os rendimentos do capital continuam a ser taxados abaixo do rendimento do trabalho, sem sofrer qualquer aumento.

Em recente artigo de opinião publicado no New YorK Times, Warren Buffet, dono e CEO da Berkshire Hathaway ( dona da Moody’s ) e terceiro homem mais rico do mundo, disse algo que aquelas pessoas inteligentes deveriam ponderar: “ de acordo com uma teoria que tenho ouvido, eu devia recusar-me a investir quando as taxas são muito altas nos ganhos de capital e dividendos. Mas nunca me recusei e os outros investidores também não… ainda estou para ver alguém fugir de um bom investimento por causa dos impostos sobre o lucro previsível. As pessoas investem para ganhar dinheiro e os impostos potenciais nunca as assustaram. E para aqueles que afirmam que impostos mais altos impedem a criação de emprego, lembro que houve um aumento de 40 milhões de empregos entre 1980 e 2000. E todos sabemos o que aconteceu depois: impostos mais baixos e menor criação de postos de trabalho”.

Vê-se logo que este milionário não tem nada de inteligente e que não teria lugar neste Governo, sobretudo ao concluir pela recomendação de que devem ser descidas as taxas de IRS e aumentadas por escalões as taxas de impostos sobre os rendimentos do capital.

É claro que virá um Ministro Inteligente afirmar que “ um perigoso comunista se pode encontrar em qualquer lado”!

Horácio Barra

Publicado no Jornal “Barcelos Popular”  de  18 de Agosto de 2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS 11 – IDEIAS, COISAS E PESSOAS

Agosto 24th, 2011 | Uncategorized | 1 Comentário »

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 11)

 

IDEIAS, COISAS E PESSOAS

 

Portugal, a Europa e o Mundo estão num momento difícil, talvez o mais complexo e perigoso depois da Segunda Grande Guerra e da “Guerra Fria”.

As convulsões políticas a nível local, regional, nacional ou mundial e o desencanto manifestado pelos cidadãos em geral relativamente aos actores políticos, a maior parte das vezes influenciados por comentadores e analistas que nada têm de independentes, muito menos de inocentes, atingiram o limite do tolerável.

Cada vez mais, no dia a dia, vemos as televisões e os meios de comunicação que vendem sonhos, ilusões ou maledicência, unicamente preocupados com as tricas pessoais, com as trocas de cadeiras do poder, com o culto de personagens que nada fazem, nem têm ideias sobre o que quer que seja.

Mas, pior, vendem ao comum dos mortais a ideia de que o dinheiro, que dá poder e domina o poder económico e político, é algo ao alcance de qualquer um.

Essa ilusão é vendida acompanhada de outra ideia, mais insensata e mortal, de que hoje não há ideologias, mas somente formas e caminhos diferentes para as pessoas chegarem ao tal poder e às coisas.

É claro que estes comportamentos ou demonstram a ignorância da história e dos valores da humanidade ou são a manifestação de uma estratégia que visa entorpecer as pessoas, na luta pelas coisas e pelo dinheiro, sem outras ideias ou princípios condutores.

Apesar de grandes pensadores, filósofos e politicos, chamarem a atenção para a actual falta de lideres europeus e mundiais capazes de discutir e de apresentar ideias que relancem as questöes ideológicas arredadas, continuamos a ver a humanidade mais preocupada com o dominio das suas coisas e com as tricas de poder, acentuando-se a pobreza, a desigualdade social e a acumulaçäo criminosa de riqueza na mão de alguns.

Face a esta mistura explosiva, perigosa e anunciadora do caos, já não haverá muito tempo para relançar as grandes discussoes das ideias, que transmitam às pessoas esperança no futuro, pois que as coisas, tal como o poder, seja ele qual for, nâo durarão para sempre.

Todos os Homens nascem iguais, mas só as mentes grandes discutem ideias, pois que as médias discutem coisas e as pequenas pessoas.

Ai residirá a diferença.

Horacio Barra

Publicado in “Barcelos Popular” de, 14 de Julho de 2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 10 ) – REFLEXÃO…DEMOCRÁTICA

Julho 13th, 2011 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 10 )

 

REFLEXÃO … DEMOCRÁTICA

 

O registo de mais de 41% de abstenção, nas eleições legislativas do passado dia 5 de Junho, deverá merecer uma séria reflexão a todos nós.

Numa primeira análise, sem esquecer que será urgente uma actualização dos cadernos eleitorais, tal significa que quase metade dos portugueses, pois àqueles 41º % é preciso somar os votos brancos e nulos, se alheou do seu futuro e deixou aos outros a escolha que a todos afecta.

Em primeiro lugar os partidos políticos terão que assumir a principal responsabilidade por este cenário, que reflecte algum desencanto e o afunilamento da participação política através das estruturas partidárias, já que só ao nível autárquico são admitidas candidaturas independentes.

Sendo compreensível a opção política e que da pulverização de candidaturas independentes nas legislativas resultaria um parlamento instável e um País ingovernável, é urgente encontrar formas que motivem os cidadãos a participar nas escolhas políticas.

Aliás, esta questão já se tinha feito sentir em anteriores eleições, designadamente na eleição do Presidente da República, em que só cerca de 24% dos eleitores inscritos votaram no candidato eleito.

Ao contrário do que foi já afirmado por responsáveis políticos, é claro que quem se abstem continua a ter os mesmos direitos, designadamente de crítica, que os demais.

É também inquestionável que os partidos políticos são essenciais para a democracia e que não é possível pensar um sistema democrático sem estes.

Contudo, é urgente que se comece nas escolas a preparar os jovens para a cidadania e para o exercício desta em pleno. Mas sendo o voto a “arma do povo” é também necessário entender as ansiedades e razões daqueles que abdicam do exercício desse mesmo direito.

Também não é com o arremessar de ovos ou de palavras que revelam má educação e intolerância por quem pensa de maneira diferente que se adquire uma melhor qualidade de vida democrática e de cidadania.

Muito menos o País sairá da crise acirrando ódios regionais ou de qualquer outra natureza. De qualquer modo, os responsáveis políticos deverão sempre ter a humildade de ler os resultados eleitorais, para perceberem a mensagem que o Povo lhes quis transmitir.

Se forem cegos e surdos para com essas mensagens não podem esperar  vitórias eleitorais. E estas, porque são sempre efémeras, só têm sentido se permitirem pôr em prática políticas de desenvolvimento e de bem estar. O Povo nunca aceitará que as vitórias sejam somente transformadas em mudanças de actores ou para pagamentos de favores.

O Povo nunca se engana e sabe sempre o que não quer, embora às vezes possa ser enganado no que poderá querer, mas só temporariamente.

Horácio Barra

Publicado in “Barcelos Popular” de 09 de Junho de 2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 9 ) – 5 DE JUNHO – O POVO E O PODER

Junho 1st, 2011 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 9 )

5 DE JUNHO

O POVO E O PODER

No próximo dia 5 de Junho os Portugueses vão escolher um novo Governo, na sequência da demissão do actual, face ao voto contra o PEC de todos os partidos da oposição.

Decorrido um mês sobre a demissão do Governo é seguro afirmar-se que esse chumbo do PEC custou muitas centenas de milhões de euros às finanças do País, sem que se vislumbre uma saída algo diferente nas eleições que se avizinham. Todas as sondagens e estudos de opinião concluem que nenhum partido alcançará a maioria absoluta, mas algumas até indicam uma nova vitória do PS.

A revelar-se verdadeira esta projecção, fica ainda outra certeza… Só o PS ou o PSD poderão ganhar estas eleições legislativas, sendo, contudo, os demais partidos ( CDS, PCP e BE ) determinantes para assegurar uma possível maioria estável.

Na verdade, estas eleições só se justificaram porque o Presidente da República entendeu não ser aconselhável ou possível procurar outras soluções no quadro constitucional, talvez na esperança de que o eleitorado pudesse virar à direita e dar a vitória ao PSD, que o elegeu.

É claro que a imposição do PEC pela UE e FMI, para ajuda a Portugal, não é só por si suficiente para garantir a estabilidade política e a recuperação da economia portuguesa, sendo antes exigível o compromisso de todos os responsáveis políticos no sentido de colocarem o interesse nacional acima de interesses meramente partidários.

Contudo, se o PEC nos é imposto, já não é indiferente escolher quem determinará as melhores medidas para atingir os objectivos.

Daí que no dia 5 de Junho não seja indiferente votar no PSD ou no PS, muito menos nos demais partidos. É que o que estará sobretudo em causa é decidir quem vai ser o próximo primeiro ministro e qual o partido que vai governar, ainda que em coligação ou com acordos de poder com os demais.

Obviamente os Portugueses não irão votar contra si mesmos. O PSD, numa viragem neo-liberal,  anuncia a intenção de privatização da água ( nós Barcelenses sabemos o que custa ), as fontes de energia, a saúde, a educação, a Caixa Geral de Depósitos, além de dar indicações de querer aumentar o IVA ( a pagar por todos cegamente ), para compensar benefícios não explicados, insistindo na diminuição dos salários, pensões, subsídios sociais e outros benefícios, pondo em causa o Estado Social.

Ora, todos já perceberam que é antes necessário criar condições para desenvolver e fazer avançar a economia, apoiando sobretudo quem produz e exporta, quem cria riqueza e emprego e diminuir drasticamente a despesa pública, mas sem pôr em causa o Estado Social e aqueles que em nada contribuíram para esta crise.

Como disse Abraham Lincoln “…se quiser pôr à prova o caracter de um homem dá-lhe poder”. No dia 5 de Junho não há lugar à experimentação, nem se pode confiar o futuro de Portugal a quem elegeu os Portugueses mais desfavorecidos e os trabalhadores dependentes como responsáveis pela crise e o alvo de todas as medidas.

Se é certo que o actual Governo do PS cometeu alguns excessos e erros, que deve assumir, este é, contudo, o momento de escolher quem está em melhores condições para assumir compromissos com os Portugueses e para governar Portugal durante os próximos quatro anos. Por isso, no dia 5 de Junho, a decisão cabe aos Portugueses. E o Povo sabe bem o que não quer, sendo evidente que só pode querer o melhor, para garantir o futuro de Portugal.

Horácio Barra

Publicado in “Barcelos Popular” de 12 de Maio de 2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF

CRONICAS DE BARCELOS ( 8 ) – BARCELOS … É DOS CIDADÃOS?

Maio 6th, 2011 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 8 )

 

BARCELOS…

É DOS CIDADÃOS ?

Nos últimos dias, o executivo municipal realizou uma reunião com representantes de alguns dos partidos políticos para lhes comunicar que a definição e elaboração do Plano Estratégico de Barcelos, designado por Plano Estratégico de Barcelos 2020 ( PEB 2020 ), tinha sido entregue a uma empresa sediada em Matosinhos, cujos méritos são desconhecidos ou deixam reservas a todos nós.

Procurámos no site da Câmara uma eventual “versão preliminar” de tal documento, pois julgávamos que não deixaria de fazer a auscultação pública, ouvindo os cidadãos, além dos partidos, instituições, associações e técnicos das diversas áreas abrangidas pelo PEB 2020, numa manifestação de transparência e de cidadania. Sem sucesso…

Não basta apregoar que Barcelos é dos Cidadãos, para depois, na primeira oportunidade, os afastar da discussão do documento mais sério que vai condicionar os próximos dez anos de desenvolvimento, assim como as opções estratégicas que se reflectirão no futuro.

Apesar do Presidente da CMB ser Independente, convirá lembrar que foi eleito em lista do PS e que só foi eleito porque teve sobretudo o apoio do eleitorado do Partido Socialista.

Assim, a opção tomada, a concretizar-se, é um atestado de incapacidade passado ao actual executivo, assessores e técnicos camarários.

Obviamente não estaríamos à espera que alguns dos intelectuais locais, que nos brindam periodicamente com análises profundas sobre questões nacionais, mundiais e do seu umbigo, tivessem a coragem, tempo, independência e saber para escrever uma linha sobre tal plano ou sobre a estratégia de desenvolvimento para Barcelos nos próximos 10 anos.

Mas quanto aos dirigentes do PS local era esperado que assumissem a responsabilidade histórica e política de tal empreendimento. É claro que tal significaria, na falta de ideias, que convocassem não só os militantes e simpatizantes do PS, mas também todas as instituições e técnicos concelhios.

Afastar o PS e os seus militantes, como os demais Barcelenses desta tarefa é um erro político indesculpável. Aliás, tal omissão é talvez explicável pela quase total ausência de discussão política interna, há mais de três anos, reveladora de uma certa matriz política.

Quer dentro do Partido Socialista, como na sociedade civil, há muitos técnicos qualificados que contribuíram, de forma voluntariosa, para a elaboração do plano e para a definição das orientações estratégicas para o concelho.

Os Cidadãos de Barcelos não podem deixar de reagir. Não podemos permitir que uma certa forma de gerir os interesses colectivos continue a perpetuar o atraso do concelho face aos concelhos limítrofes e afaste os Barcelenses das decisões que lhes dizem respeito.

Afinal, Barcelos será mesmo dos Cidadãos?

Horácio Barra

Publicado in “Barcelos Popular” de  14 de Abril de 2011

Share:
  • Add to favorites
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Google Buzz
  • PDF