Arquivo de Dezembro, 2010

CRONICAS DE BARCELOS ( 4 ) – 2010… ANO PARA NÃO ESQUECER

Dezembro 31st, 2010 | Uncategorized | 1 Comentário »

 

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 4 )

 

2010 … ANO PARA…NÃO ESQUECER

 

Depois de anunciados os escândalos dos operadores financeiros, a crise internacional obviamente teria que chegar a Portugal com maior estrondo, dada a falta de vergonha que por aqui se foi instalando impunemente nas últimas duas décadas e em todos os sectores, associada à não menor falta de valores de uma parte da classe política, insensível e incompetente.

Mas o que mais surpreendeu foi ver o Estado comprometer o dinheiro dos contribuintes, para impedir a falência daqueles que dele se apropriaram ou desbarataram, pondo em causa o investimento público e o bem estar social.

Rapidamente, a “receita milagrosa” para ultrapassar a crise foi anunciada: redução drástica dos salários. Claro que ninguém acreditou ou acredita que esta seja a causa ou o remédio da doença maior que nos afecta há mais um século. Há por aí “delinquentes sociais” que não hesitam em destruir o País só para garantirem a manutenção de formas de enriquecimento ilegítimas, perante a impunidade dessas acções.

Mas a maior hipocrisia do ano manifestou-se nos últimos dias quando ouvimos opositores da actualização, em 2011, do salário mínimo nacional de 475,00 € para 500,00 €, compromisso antes assumido por este Governo e pelo PS perante os parceiros sociais.

Na verdade, o argumento, por parte de alguns empresários, de que não é possível suportar tal aumento só pode ser repetido por quem não tenha mesmo vergonha ou sofra de insensibilidade social irreversível.

Na verdade, sabendo-se que a maior parte das empresas nacionais tem menos de 20 trabalhadores e que só parte deles aufere o salário mínimo, é bom de ver que o aumento de 25,00 € para dez trabalhadores só custa mais 250,00 € por mês, acrescido de 23,75% para a Segurança Social ( 59,38 € ). Ora, tal encargo é bem menos do que qualquer administrador de empresa está habituado a pagar ao fim de semana por almoços e jantares da família, facturados em nome da empresa, ou muito menos do que a prestação mensal do leasing da viatura paga pela mesma empresa.

Não será, por isso, admissível que, em 2011, não seja efectuada a actualização do salário mínimo mensal para os prometidos 500,00 €, aliás para, em parte, minorar o efeito da inflação e do corte inqualificável no abono de família e noutros subsídios sociais.

Ora, este ataque ao Estado Social, sem que se discuta, de forma serena e construtiva, como mantê-lo em termos equilibrados, transporta para as autarquias uma nova e especial responsabilidade na área social.

Com o aumento do desemprego, a falta de políticas que visem criar emprego e a fixação de novas actividades, bem como de medidas que visem ultrapassar as carências das Famílias, é necessário implementar políticas de igualdade e solidariedade intergeracional.

Num ano em que nada de significativo se passou, muito menos se anunciou, é, por isso, de realçar a medida de apoio às crianças do 1º ciclo, no subsídio à aquisição de material e livros escolares.

Não sendo uma ideia nova, pois já era compromisso do PS desde 2005, a mesma só peca por ficar aquém do que era desejável. Esse apoio deverá estender-se em 2011 até ao 9º ano de escolaridade obrigatória.

Como deu para ver há condições financeiras para tal. Falta só a vontade política para a definição clara de novos critérios e prioridades na distribuição anual dos muitos milhões de euros de subsídios, bem como para uma redução eficaz da despesa, designadamente com a extinção de serviços e empresas municipais que se revelem inúteis ou ineficazes.

Horácio Barra

Publicado no Jornal Barcelos Popular em 16.12.2010

CRONICAS DE BARCELOS ( 3 ) – QUE FUTURO?

Dezembro 7th, 2010 | Uncategorized | Comentários Desligados

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 3 )

… QUE FUTURO?

 

Os momentos de crise são geradores de medo, ansiedade e desespero. Porém, são também momentos de oportunidade, não só para reflectirmos sobre as causas e erros, mas sobretudo sobre o que poderemos fazer de diferente no futuro.

Apesar da aparente prosperidade da década de oitenta e início da década de noventa os sinais eram no sentido do contínuo atraso no desenvolvimento do concelho, em comparação com os concelhos vizinhos.

Às crises das indústrias da cerâmica, do calçado, da têxtil e da construção civil, seguiu-se agora a inevitável crise financeira, com a agudização do desemprego e a acentuação das desigualdades sociais e da pobreza.

Em todas essas crises sucessivas manifesta-se um erro comum, designadamente a ilusão do bem estar individual, da prosperidade, ditada por uma certa ganância na apropriação dos bens do capital, com sacrifício daqueles que sempre foram explorados, mesmo daqueles que, na aparência do acesso ao consumo desenfreado, não perceberam que ficavam também cada vez mais pobres e dependentes.

Por isso, agora que decorreu já um ano sobre a data em que o PSD perdeu as eleições autárquicas de 2009, é urgente e tempo de reflectir sobre o estado geral em que foi deixado o concelho de Barcelos e como ultrapassar mais de vinte anos de atraso.

O PS mantém ainda um nível elevado de créditos perante o eleitorado, mas tal desaparecerá rapidamente, face a algumas críticas já recorrentes, se não mostrar ter um rumo e uma política de desenvolvimento para Barcelos.

Faltando somente três anos para as próximas eleições autárquicas, é urgente discutir um projecto ou plano de desenvolvimento para Barcelos, com uma definição clara da estratégia e dos objectivos de curto e médio prazo.

Mais importante que tudo é discutir as ideias que darão um rumo a Barcelos. É o momento de pensar as palavras e de ouvir os Barcelenses sobre o seu futuro, sobretudo, por uma questão de cidadania, de modo a assumirem um rumo em que acreditem e que não lhes seja ditado de fora. Será preciso preservar a identidade cultural e a história de Barcelos, mas dando a este concelho os sinais de modernidade, sem deixar de garantir níveis mais elevados de qualidade de vida.

Acreditar que existe capacidade e ter ambição será o caminho certo, mas sem descurar a inevitável solidariedade a todos os níveis, que passam necessariamente pela aposta em políticas de desenvolvimento económico, que visem a diversificação e a criação de condições para a instalação de indústrias que criem emprego e riqueza, pelo apoio social que vise a integração e a solidariedade, pela educação, com o combate ao abandono e iliteracia, quer ainda pela aposta na qualidade do ensino, sem esquecer o que de bom temos para oferecer ao nível do turismo, rural, monumental e natural, aproveitando a arte e o saber dos nossos artesãos e elevando os níveis de intervenção cultural.

( Continua… )

PS. Afinal o pombo, dependurado e morto, lá partiu, mas só quando se sentiu livre e a voar na fúria da tempestade da água … da chuva!

Horácio Barra

In Barcelos Popular de  18.11.2010