CRÓNICAS DE BARCELOS ( 13 )

FOI VOCÊ QUE PEDIU ESTE GOVERNO?

Decorridos três meses sobre a data da posse deste Governo de Portugal já não ouvimos ninguém falar bem das medidas tomadas e anunciadas, a não ser os próprios governantes.

Mesmo pessoas com grande responsabilidade política dentro do PSD e do CDS já criticam as medidas governamentais, que, a pretexto do combate à crise e ao despesismo do Estado, continuam cegamente  a atingir sempre os mesmos.

Agora, já se ouvem discursos que aumentam a ansiedade dos Portugueses, preparando-os psicologicamente para um novo acordo com a “Troika” que, obviamente, trará mais sacrifícios e cortes para os que têm menos recursos e a classe média, tudo com o pretexto de cortar mais mil milhões em 2012.

De medidas para “cortar nas gorduras do Estado” nada. Ora, esta omissão revela ou um ostensivo favorecimento político da classe dominante, que mantém para si mesma os privilégios, ou revela falta de vontade, falta de coragem ou falta de capacidade políticas para fazer o que é preciso.

Perante este cenário, se falarmos com as pessoas parece que ninguém votou neste governo e no programa que dizem implementar. Mas alguém, a maioria anónima, votou. Tal significa que as pessoas continuam a viver comodamente e a ir atrás das promessas eleitorais de quem quer ser alternativa ao poder, queixando-se depois de que, afinal, são uns mentirosos.

É claro que este estado de coisas só se altera no dia em que as pessoas perceberem que só há um caminho para alterar esta crónica falta de vergonha de quem promete o que sabe não poder ou não querer depois cumprir.

Para isso é necessário que as pessoas participem activamente na actividade política e sobretudo que se inscrevam nos partidos políticos para influenciarem a escolha das melhores políticas e de quem querem que as execute. De outro modo alguns continuarão a decidir a vida de milhões e o futuro de todos, a nível local, regional e nacional.

Enquanto assim não fizerem manter-se-á o “fado” de se verem governadas por quem é manifestamente pior do que quem vota neles, mas aqui sem volta a dar.

Aliás, estou mesmo a ver, nas reuniões do Governo, um sorriso rasgado estampado no rosto de todos enquanto baixinho sussurram “daqui ninguém nos tira nos próximos quatro anos”…

Entretanto pode berrar, discutir, manifestar-se, desesperar, mas não lhe vai servir de nada … a não ser que queira fazer uma revolução…

Horácio Barra

Publicado no Jornal “Barcelos Popular de  15.09.2011

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