Arquivo de Janeiro, 2012

CRONICAS DE BARCELOS ( 17 ) – A CULPA AFINAL É DOS TRABALHADORES!

Janeiro 31st, 2012 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

CRONICAS DE BARCELOS ( 17 )

 

A CULPA AFINAL

É DOS TRABALHADORES…!!!

Durante os últimos seis meses de 2011 os Portugueses acomodaram-se à ideia de que um Primeiro Ministro pode mentir, desde que seja do PSD ou do CDS. Já o anterior mereceu o inferno dos media nacionais, que criaram o clima necessário ao cartão vermelho dos Portugueses, entregando o poder à direita que os controla.

Na verdade, as promessas de não aumentar os impostos, de obrigar os mais ricos a pagar impostos, aliviando a carga fiscal dos menos afortunados e dos trabalhadores por conta de outrem, de governar com solidariedade para os mais desfavorecidos e de distribuir equitativamente os esforços para ultrapassar a crise não passaram disso mesmo, ou seja de promessas mentirosas de políticos sem vergonha.

É claro que numa primeira fase o “emagrecimento das gorduras do Estado” passou por outra grande mentira, de que a culpa era dos funcionários públicos e reformados, que logo foram espoliados de direitos fundamentais, sendo aí também ensurdecedor o silêncio dos média e de quem tem por função aplicar a Constituição.

Mas o golpe político que a direita leva a cabo, mesmo sem revisão constitucional – é legítimo questionar e exigir declaração de interesses para sabermos se há alguém nas instâncias do Estado que saiba ou queira defender o Estado de Direito Democrático –, não podia dar-se por findo sem o último embuste, palavra tão do gosto do PSD local.

Assim, agora o alvo são os trabalhadores por conta de outrem. Já só falta alguém, como aquele candidato Republicano dos USA, dizer que são todos uns malandros e que merecem todos ser obrigados a trabalhar sem nada receber, a não ser por caridade da respectiva entidade patronal, incluindo as respectivas crianças, que devem ser obrigadas a lavar o chão das escolas como contrapartida dos gastos com a sua educação e para criarem hábitos de trabalho ( sic ).

É claro que muitos Empresários e Empreendedores não acham graça a este suicídio liberal e de direita, pois sabem que um dia vão também pagar a factura da incompetência governativa, sendo óbvio que aqueles que buscam paraísos fiscais o fazem também porque não acreditam nestes governantes.

Contudo, haverá outros que, por total falta de formação, de ética, por falta de experiência, saber empresarial ou por convicção política irão acentuar comportamentos violadores da legislação laboral, sabedores de que neste País as entidades fiscalizadoras, salvo raríssimas excepções que quase ninguém conhece, nada fazem.

Aliás, entre as recentes medidas chamadas de concertação social não consta uma única que penalize especialmente as entidades empregadoras que violem aquelas normas, muito menos uma única que estabeleça sanções severas para aqueles que violem, sem justificação, os direitos dos trabalhadores.

Pois, “seria uma maçada pedir tal coisa”. É claro que um desequilíbrio de normas e de esforços tem como consequência o aumento da conflitualidade social e o aumento da precariedade do emprego, mas não resolve o problema essencial da nossa economia, que continua a ser a necessária produtividade, com o aumento das nossas exportações, para equilíbrio da nossa balança comercial.

Aliás, seria bom que os gestores, economistas e responsáveis soubessem ler os sinais da história, em vez de continuarem preocupados em alimentar o monstro. Já deviam saber, porque foram os únicos culpados da actual situação, que têm antes de mostrar provas da sua competência, pois já estamos fartos de suportar as consequências da sua ignorância arrogante.

Publicado in “Barcelos Popular” de 19 de Janeiro de 2012

Horácio Barra

CRONICAS DE BARCELOS ( 16 ) – NATAL … QUANDO SERÁ?

Janeiro 6th, 2012 | Uncategorized | Comentários Desligados

 

CRONICAS DE BARCELOS ( 16 )

 

NATAL … QUANDO SERÁ?

 

Normalmente o final do mês de Dezembro e o Natal criam uma “atmosfera especial “ à reflexão e, de forma artificial e temporariamente, exacerba-se neste período a sensibilidade especial para com as questões sociais.

É claro que, apesar de todos sabermos que não existe o Pai Natal, a sua figura e criação é propícia à materialização da época, manifestação pagã de que o Homem nunca se libertará, sendo, aliás, figura central da ilusão e fantasia que povoa também a imaginação infantil, infelizmente também explorada no pior sentido.

Porém, as manifestações e declarações de apoios sociais e de solidariedade não têm a consistência de tranquilizar ninguém, em especial os cerca de um milhão de desempregados, os reformados e os outros cerca de cinco milhões de Portugueses que estão confrontados com as dificuldades e que ganham menos do que o salário mínimo nacional ( 485,00 € ). Mesmo os demais sabem que a convulsão social pode acontecer a qualquer momento e que nada está hoje garantido.

É claro que, se existisse Pai Natal, o que se esperaria é que este entregasse doze vales mensais no valor do salário mínimo a cada um dos governantes, gestores e responsáveis políticos nacionais, europeus e mundiais, lhes exigisse que vivessem com esse valor durante 2012, pagando renda de casa, água, electricidade e gás, infantário dos filhos, despesas de saúde, alimentação, vestuário, escolares e que se mantivessem vivos até ao Natal de 2012, sem quaisquer outras ajudas.

Porém, esta fantasia natalícia é irrealizável, mesmo com a ajuda divina. É que os milagres são difíceis de provar, mesmo acontecendo. Mas com toda a certeza o Natal de 2012 seria bem diferente do actual.

É que não vemos nos responsáveis a humildade e o saber necessários à diminuição do desperdício e da despesa pública, que nos colocaram à beira de precipício, muito menos a sensibilidade social que distingue os grandes estadistas.

Resta-nos a mediocridade dos responsáveis políticos, a mentira insolente e sem vergonha de quem promete e depois nega as promessas ou as palavras, a pobreza de espírito, a falta de ideias e a arrogância dos ignorantes, que decidem a continuação de políticas de desrespeito pelos mais elementares direitos humanos.

É o deserto de valores de quem engana as pessoas, que buscam e esperam melhores dias, mas que se deixam embalar por presentes eleitorais envenenados, cujo conteúdo ideológico foi minuciosamente decidido pelos seus executores.

Horácio Barra

Publicado no Jornal “Barcelos Popular” de 22.12.2011